
Muito se depositou de confiança no novo governo norte-americano. Passados dois meses da posse de Barack Obama, percebe-se nele a vontade de tentar recuperar o país - e, indiretamente, o mundo - da crise econômica. Mas Obama pode ser o homem errado na hora errada com as idéias erradas... enfim, torçamos para que algo dê certo!
Na campanha à presidência, os Democratas a todo momento ressaltavam a relativa juventude de Barack Obama, ao passo que os Republicanos defendiam a idade e a experiência de John McCain. Pobre John!
Segundo o cientista político francês Roger-Gérard Schwartzenberg, os governantes precisam se assimilar a uma imagem e transmití-la até o fim de sua vida pública. John McCain, como um senhor de idade mais avançada, representa a experiência, o conservadorismo - a típica imagem do pai. Já Obama se ligou à sua juventude para transmitir os ideais de renovação, mudança, progresso e inovação política. Ele pode não ter experiência, mas fará de tudo para ajudar seus semelhantes - a imagem do irmão, do amigo. Justamente a mudança que os norte-americanos precisavam depois do conturbado governo Bush...
No entanto, em tempos de crise - já diria Schwartzenberg - o público precisa de alguém que o salve, não de alguém que apenas entenda esse sofrimento. É aí que Obama se contradiz. Sua aparente amizade e simpatia foram substituídas por uma expressão austera, preocupada e distante - a conscientização de que a crise econômica está sendo pior do que ele imaginava! Essa sobreposição de imagens - o amigo Obama se tornando um pai acolhedor e heróico - faz com que o público que o elegeu não mais o conheça de fato, fazendo com ele perca parte de seu apoio popular.
Mas ao passo que Obama se esforça para reverter a crise, parece ter esquecido sua promessa de retirada de tropas do Iraque. E é muito provável que o abandono desse projeto se deva a forças ocultas - mas não tão ocultas assim!
Desde os ataques de 11 de setembro, o Exército norte-americano passou a depender ainda mais da ajuda de companhias militares privadas, entre elas a Blackwater USA. Essa companhia treinava soldados e vendia armamentos e veículos de combate para o Exército estadunidense. No entanto, mais recentemente, passou a também enviar seus soldados para o conflito no Iraque. Hoje, a proporção entre o número de contratados e o de soldados na Guerra do Iraque chega a ser de 1 para 3. Ou seja, o governo não está sozinho nessa guerra!
Se Obama quiser tirar suas tropas do Iraque AGORA, os soldados da Blackwater - que desde 2007 passou a se chamar Blackwater Worldwide - podem se recusar a sair do país, já que não estão submetidos ao Exército, mas a um simples contrato com o governo. Um conflito entre os EUA e o "terrorismo" pode se tornar uma guerra particular! O interessante é que esses soldados contratados estão imunes às leis iraquianas e aos preceitos da diplomacia, já que eles tem apenas um contrato com os EUA e não estão ligados diretamente a um Exército oficial!
O desfecho desse conflito configurará uma situação inédita na História. E não será uma guerra que apenas um presidente - por mais bem-intencionado que esteja - consiga levar a cabo!
Fonte principal: "Blackwater - A Ascensão do Exército Mercenário Mais Poderoso do Mundo", de Jeremy Scahill
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