A mídia está surpreendentemente ainda mais estranha e perdida do que o normal...
A gripe suína, a "primeira grande epidemia do século XXI", a "nova peste", a "ameaça que supera qualquer guerra"... cadê ela!? Foi simplesmente esquecida?
Como tudo tem uma justificativa, aí está ela: o avião caiu a não me importam quantas milhas de distância de Fernando de Noronha, e a ameaça da gripe simplesmente perdeu o sentido, já que agora todos sofremos o risco de morrer numa queda de avião - risco esse ainda maior do que morrer de gripe suína.
O número de casos da gripe está aumentando no Brasil! Já são 79, se não me engano... fiquei sabendo disso no rádio, porque, se dependesse do jornal, eu estaria até hoje lendo as biografias de todas as vidas interrompidas no vôo da Air France.
Não que a morte dessas pessoas não tenha sido uma fatalidade. Não é isso que estou falando. Só digo que os parentes e amigos querem sossego, não querem ver espetacularizadas a vida e a morte das pessoas queridas. Certamente não é agradável para eles relembrar o acidente e ver como aquilo foi trágico, como os sonhos foram arbitrariamente interrompidos...
Mas... voltando à questão da mídia. Os jornais resolvem dedicar dezenas de páginas e cadernos especiais à espetacularização desses acontecimentos. O mesmo ocorreu com a Isabella Nardoni, com a brasileira que se mutilou (ou não) na Europa e até com aquele velho caso da modelo que morreu de anorexia.
Será que as pessoas não perceberam que, depois que a modelo morreu, todas as mortes por anorexia passaram a ser noticiadas nas semanas seguintes? O fato é que as mortes sempre ocorreram, mas resolveram transformar isso em matéria, espetacularizar o assunto, e ainda deram margem para o Globo Repórter continuar falando sobre "os benefícios da boa alimentação", ou "como viver uma vida saudável",...
Mas falando nisso... e a família Nardoni? O casal está preso, solto...? Passado cerca de um mês do crime, o paradeiro dos dois se resumiu a simples notas de rodapé! Até ser definitivamente substituído por mais assuntos ordinários transformados em manchetes!
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