terça-feira, 7 de abril de 2009

Desafios


"E imaginar que, com o fim do ensino médio e do vestibular, a vida seria fácil..."


Estou estudando Ciências Sociais na UFRJ, e a faculdade é no Largo de São Francisco, no centro histórico do Rio. Fui forçado a trocar a carona do meu pai até a escola pela ida de metrô lotado até a faculdade.
Saio de casa cedo o suficiente para perceber que todos os trabalhadores que passam por mim na rua estão com cara de recém-acordados e de pouco dispostos a recomeçar a rotina. Mas a caminhada até a estação Saens Pena é tranquila. A aventura começa quando chego na estação...

Graças ao advento -e bota advento nisso- do cartão pré-pago, consigo escapar das filas, mas não das multidões que se aglomeram à beira da plataforma esperando o metrô chegar. Quando ele chega, muitos começam a se empurrar para dentro do vagão, a fim de conseguirem o tão-sonhado “lugar sentado”, conquista essa que rende ao passageiro tremenda satisfação, sendo inclusive motivo de orgulho do cidadão de classe média que vê nessa vitória a melhor forma de aumentar sua auto-estima e sair um pouco da rotina.
O metrô já sai um pouco cheio da Saens Pena, mas é quando passamos pelo Estácio e pela Central que as leis da física são violadas. Sim, é possível que duas pessoas ocupem o mesmo lugar no espaço!
Chegando na estação Uruguaiana, juntamente com outros passageiros, sou expelido para fora do vagão, o que não me deixa outra opção senão seguir para o IFCS.

O IFCS é o Instituto de Filosofia e Ciências Sociais da UFRJ, que congrega os cursos de ciênciais sociais, história e filosofia. Ou seja, só pessoas alternativas e loucas! O IFCS é palco de eternos e acalorados conflitos entre os "porcos" capitalistas e os comunistas "comedores de criancinha". A primeira coisa que aprendi na faculdade foi que existem muito mais partidos comunistas do que eu imaginava: PC do B, PCB, PSOL, PSTU, PCO e PCR, este último sendo o Partido Comunista Revolucionário, que até então eu desconhecia. Talvez existam mais, mas eu não os conheço... ainda! E em meio a tantas pessoas alternativas e surpreendentes, lá estou eu!

Ao voltar a pôr os pés em solo tijucano, não pensem que estou livre das surpresas! Parece um desafio conciliar o ponto de vista dos cientistas sociais com o ponto de vista da gloriosa classe média tijucana! Ao ver um mendigo, um cientista social pensa: "Meu Deus! Até quando a natureza humana continuará sendo desprezada pelos governos e pela própria sociedade!?". Já um tijucano, ao se deparar com a mesma cena, reclama, em altos brados: "Meu Deus! Cadê o prefeito? Cadê o choque de ordem? PARA ONDE O GOVERNO ESTÁ MANDANDO O DINHEIRO DOS MEUS IMPOSTOS!?"

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