quinta-feira, 16 de abril de 2009

Bichos, Elevadores e outras Criaturas

Diálogo entre uma menininha e sua mãe:
-Manhê, tem um besouro na sala!
-Ah, não é um besouro não! É só uma borboletinha inofensiva!
- Não é nada, mãe! Borboletas são bonitas, e esse bicho é feio!
A verdade é que aquilo não era uma borboletinha. Sabe aqueles momentos em que você vê um bicho voador e sabe que não é um besouro, nem uma borboleta, nem uma abelha, mas não sabe exatamente o que é? Pois bem! Esse é um daqueles momentos. A essas criaturas voadoras e obscuras o senso comum chama de bichinho.
- Tudo bem, minha filha, não é uma borboleta! É só um bichinho...
- Então, mãe, é um besouro! E eu tenho medo de besouros...
- Mas, filha! Nós moramos no 8º andar! Os besouros não voam tão alto assim!
- Ah, ele pode ter subido pelo elevador!
Essa é uma daquelas horas em que, com algum lamento, a mãe percebe que sua inteligência foi momentaneamente desafiada pela própria filha, ainda uma inocente criança. Talvez não se trate de inteligência, mas de uma possibilidade que a mãe nunca teria pensado...
- É, filha, então deve ser um besouro que subiu pelo elevador. Já vou tirar ele daí...

E a mãe saiu pensando. A idéia do elevador pode ser de fato patética, mas não é que faz algum sentido!?
E pensar que talvez os besouros sequer percebam que o elevador se movimenta! Devem ter entrado lá sem querer, e quando viram, estavam em outro andar! Tudo bem que o besouro não raciocine nem entenda nada disso, mas imagine o primeiro homem que andou de elevador? Nada deve ter feito sentido! A porta se fecha e, segundos depois, sem ter percebido nada além de um pequeno movimento, ele sai em outro lugar? Que surreal deve ter sido isso! Queria eu estar lá para presenciar esse momento - quase comovente - da história.
O que hoje é algo banal para nós um dia já foi uma invenção do diabo, ou talvez até mesmo uma máquina de teletransporte!

- MANHÊ! O besouro tá vindo! Tira ele daqui logo!
-Ah, é! Tinha até esquecido dele...

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